Sobre acasos e escolhas
- Talita Vital
- 6 de out. de 2017
- 2 min de leitura

Trem noturno para Lisboa é um filme sobre acasos. Acasos que definem vidas, que te fazem encontrar amigos, amores e uma vida nova. Acasos que uns chamam de destino, outros de oportunidades, outros de ações do universo.
O filme conta a história de Raimund Gregorius, um professor suíço, que sobrevive a vida. Um dia ele salva uma moça que iria se jogar de uma ponte. A moça, a qual ele nem sabe o nome deixa com o senhor seu casaco. Em seu casaco há um livro escrito pelo português Amadeu Prado, médico, escritor e participante da Resistência Portuguesa e uma passagem de trem para Lisboa.
Apaixonado pelo livro, Raimund adentar no trem para a capital portuguesa e vive toda a história de Amadeu. O professor quer entender como o médico chegou a tal capacidade de entender e viver a vida.
O longa se passa no cenário maravilhoso de Lisboa e acaba por contar nuances da história da cidade. O único ponto ao qual me incomodou foi os personagens só falarem inglês e não mostrarem seu sotaque português.
Entretanto, o filme é lindo. Baseado na obra “Trem Noturno para Lisboa" de Pascal Mercier, a história nos mostra que sobreviver e não viver a vida é um desperdício.
Nós acordamos, trabalhamos, voltamos para casa cansados e dormimos cedo para acordar e trabalhar novamente. Nós vivemos no automático. Sem propósitos e acreditando nos sonhos impossíveis.
É claro que não quero que ninguém largue tudo e viva de arte na praia. Somos cidadãos, temos impostos, contas e vivemos sob um mundo capitalista, ou seja, trabalhar é normal e saudável até. Mas o ponto é: porque não aproveitamos a jornada diária? Porque não olhamos para frente, para a janela do ônibus, conversamos com estranhos ou ajudamos os próximos?
Se Raimund tivesse simplesmente passado pela garota na ponte sua vida não havia mudado. Se nós não nos arriscarmos a sair do automático e apreciar as pequenas coisas, de que adianta viver se for para sobreviver? Acredito que o professor tenha escolhido viver.
A vida é cheia de acasos, acredito que alguns estão prescritos, outros nós escolhemos, mas só temos a oportunidade se aceitamos olhar além do normal.
Portanto, a mensagem que o filme deixa é: “Deixamos algo de nós para trás ao deixar um lugar. Permanecemos lá, apesar de termos partido. E há coisas em nós que só reencontraremos ao voltar. Viajamos ao nosso encontro, quando vamos a um lugar, onde vivemos parte de nossa vida, por mais breve que tenha sido.” - Amadeu Prado.
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